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Produção de grãos com identidade preservada, um constante aprendizado

Artigo escrito por André C. Rosa, Ph.D. Diretor/Proprietário da Biotrigo Genética Ltda.


Na agricultura moderna, existem muitas iniciativas, em diversas culturas, de produção em programas/projetos de identidade preservada. Como o nome sugere, estes projetos visam manter a pureza de uma determinada matéria prima entregue ao consumidor e exigem, para isto, cuidados desde o plantio até o processamento da mesma.

 

Na Biotrigo, temos várias iniciativas neste sentido e nosso intuito aqui é relatar nossa experiência em trigo com enfoque no maior dos programas que temos neste sentido, o Projeto Noble. Há extensa literatura sobre o assunto, mas acreditamos que um breve relato da experiência local pode ser de utilidade para outros dispostos a iniciativas semelhantes em trigo ou outras culturas.

 

Porque manter identidade de um trigo?

Trigo não é uma commodity tão simples quanto soja ou milho. Em geral, um trigo bom para panificação não é adequado para produção de biscoitos, e vice versa, por exemplo. Há diversos tipos de trigo que para que, tenham real valor para o moinho, devem chegar no mesmo não só fisicamente saudáveis (bom peso hectolítrico, sem impurezas e contaminações, e etc.) mas uniformes – com a mesma qualidade da primeira à última carga. Uma das maiores reclamações dos moinhos com referência a qualidade do trigo, não é de que não se produz trigos de qualidade adequada, mas que se mistura trigos de diferentes aptidões em um mesmo silo. O reflexo disto é que o moinho começa com uma regulagem e precisa constantemente fazer ajustes. Isto obviamente gera perdas e custos que terminam se refletindo em pagar menos pelo trigo não homogêneo.

 

Os fatos citados acima geram oportunidades de fazer um melhor trabalho e buscar uma remuneração melhor pelo trigo. Há quem o faça e consiga sucesso, mas de forma consistente através dos anos, há poucos relatos. Abaixo refletimos sobre algumas peculiaridades que devem ser consideradas em programas de identidade preservada ou de segregação, termo mais usado no Brasil.

 

O produto a ser segregado – será que o produto escolhido tem valor por si só ou somente se espera valor pelo fato de estar puro e uniforme? No caso de trigo, existem diversas oportunidades de qualidades diferenciadas de farinha: branqueadora, com aptidão para biscoitos, massas, pizzas e outras. O valor a ser obtido vai sempre depender da oferta e demanda, mas é mais fácil viabilizar um projeto onde o produto a ser segregado tenha, por si só, valor mais elevado.

 

Qual valor do prêmio? Difícil determinar antecipadamente – por diversas razões de mercado, moinhos de trigo dificilmente se comprometem a pagar mais por um determinado produto, mas, reconhecem o valor de um lote de trigo quando este existe. Preço final costuma ser determinado por oferta e demanda. Sendo assim, produtos com elevada demanda costumam atingir valores até 20% maiores que trigos não segregados. Em outros anos, no entanto, o mesmo produto (super ofertado) pode ter prêmio zero ou negativo.

 

Distribuição de valor – o valor agregado (prêmio) deve ser distribuído aos diversos elos da cadeia. Para ter sucesso qualquer projeto deve envolver vários agentes. Normalmente estão envolvidos pelo menos um obtentor, agricultores, assistência técnica, sementeiros, cerealistas e moinho. Outras vezes também se inclui corretores, indústria e outros. O importante, em nosso entender é que o modelo de projeto remunere de alguma forma todos os elos envolvidos. O grande objetivo desses projetos é manter um sistema sustentável desde a semente até a gôndola”, resumo Jorge Stachoviack, Gerente de Novos Negócios na Biotrigo e encarregado direto destes projetos na empresa.

 

Uso de semente certificada – somente com uma semente de origem garantida se pode pensar em garantir a qualidade e a identidade da produção. Este é um aspecto essencial e uma das formas de remunerar alguns dos elos da cadeia. Em nossos projetos o agricultor deve comprar a semente todos os anos.

 

Experiência na comercialização – cabe envolver pessoal experiente na comercialização do produto a ser produzido pois se há nuances que requerem experiência na comercialização de commodity, há ainda mais no caso de produtos diferenciados.

 

Assistência técnica – outro componente que auxilia na performance no campo e fora dele além de facilitar os controles em diversas fases da cultura.

 

Concorrência – normalmente há algum tipo de produto concorrente, mais ou menos competente. Acompanhar as opções de mercado para substituir o produto a ser produzido é importante, tanto para começar um projeto, como para fazer os ajustes necessários para manutenção do mesmo.

 

Logística – tanto a produção de sementes quanto a de grãos deve ser planejada para estar perto do ponto de uso ou recebimento/consumo. Quanto menos frete, mais viável o projeto.

 

Ajustes constantes – há que ter alguma flexibilidade para ajustes ao longo dos anos ou o qualquer projeto não se sustenta. Tanto o mercado, como o clima, a genética e/ou o interesse dos diferentes parceiros muda com o tempo. Quem lidera o projeto, deve ter o poder de realizar estes ajustes.

 

Escolha e manutenção dos parceiros – além dos aspectos técnicos e comerciais a serem considerados, outro aspecto muitas vezes ainda mais relevante é a integridade do parceiro. É preciso respeito e confiança entre os diversos elos e não há contrato que consiga substituir a integridade do parceiro. Aqueles de repetidamente desrespeitam as regras, por erro proposital ou não, devem ser afastados do projeto em benefício dos que trabalham em prol do conjunto.

 

Comunicação frequente e transparente – finalmente, julgamos necessário a manutenção de uma boa comunicação entre os elos e de muita transparência sobre o andamento do projeto para que todos se sintam o que realmente são – essenciais para o andamento do todo.

 

Projeto Noble, um caso de sucesso em constante evolução

Dentre todas iniciativas neste sentido, o Projeto Noble foi o que mais se destacou até agora dentro da Biotrigo. TBIO Noble é uma cultivar de glúten forte (Melhorador), que produz farinha branqueadora e tem um desempenho superior na panificação. Estas características, associadas a bom desempenho agronômico, foram a base para o início de um projeto.

 

Iniciamos alguns anos atrás no Paraná com um modelo baseado em uma cerealista só. Dificuldades logísticas de manter o TBIO Noble puro, resultou na obtenção de prêmio zero. Reiniciamos o projeto no RS e SC, incluindo uma corretora e uma empresa de assistência técnica como forma de buscar minimizar o problema logístico e melhorar as chances de obtenção de prêmio. Desta forma, o projeto cresceu e hoje, TBIO Noble está entre as dez cultivares mais semeadas nestes Estados, um número expressivo para este tipo de empreitada. Ao mesmo tempo que cresceu no campo, a indústria tem reconhecido tanto o valor intrínseco da cultivar como do sistema de produção que entrega um produto puro e uniforme. TBIO Noble é também cultivado no PR e SP, mas em um modelo distinto do Sul e que segue em expansão. Em ambos os casos, constantes ajustes são feitos a cada ano visando melhorar cada vez o modelo de negócio.

 

Qual melhor modelo?

Como podemos observar, para um mesmo produto, temos hoje modelos distintos em regiões distintas. Escolhemos especificamente este projeto para ilustrar o que consideramos mais importante – que não há “melhor modelo”, não há fórmula mágica. Acreditamos, resumidamente, que é importante identificar um produto que tenha valor para indústria, criar modelo customizado por produto e região que facilite o trabalho de todos, manter constante atenção no andamento, fazendo sempre os ajustes necessários com vistas ao bem maior que é o sucesso continuado do projeto.


Fonte: PhD André Cunha Rosa


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