Trigo: abundância valorizada

Clima ajuda e plantio de trigo avança no Paraná enquanto preços sobem pela maior demanda e menores estoques pelo mundo

Publicado em 05/06/2018

O avanço no plantio do trigo nos últimos dias permite vislumbrar que o Estado atinja a previsão de mais produção do cereal neste ano, com uma elevação 48% acima do registrado no ciclo 2016/17

Foto: Divulgação Biotrigo/Dirceu Portugal

Compartilhe:

O clima ajudou e o plantio de trigo avançou no Paraná nos últimos dias, uma boa notícia para o agronegócio em um ano de quebras de safra, embargos econômicos e prejuízos causados pela greve dos caminhoneiros. A falta de chuvas havia atrasado o plantio até o último dia 21, com apenas 52% dos 1,046 milhão de hectares destinados à cultura de inverno no ciclo 2017/18, segundo o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento). Desde então, avançou para 68% do total e ficou dentro da média histórica para o início de junho.  

 

O avanço das plantadeiras permite vislumbrar que o Paraná atinja a previsão de produção de trigo para o ano, de 3,304 milhões de toneladas (t), ou 48% acima do registrado no ciclo 2016/17. Esse crescimento em volume se mostra ainda mais interessante quando observada a cotação do produto, que sobe tanto para vendas nacionais quanto no mercado internacional. De acordo com a consultoria curitibana Trigo & Farinhas, o lucro sobre o custo de produção do grão estava na última semana em 21% no Paraná. 

 

O levantamento diário de preços do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) aponta alta de 25,38% na cotação da tonelada do trigo pão ou melhorador em maio, no Paraná. O valor foi de R$ 822,40 no dia 30 de abril para R$ 1.031,19 no último dia 29. 



Resta saber se o clima, bastante imprevisível em 2018, continuará a ajudar. "Temos casos pontuais no Norte Pioneiro e na região de Londrina, que são os primeiros a plantar, de volumes de chuva insuficientes para o plantio, mas já temos mais de dois terços da área plantada", diz o analista da cadeia de trigo do Deral, Hugo Godinho. 

 

A valorização é mais um ponto a favor da cultura no Estado, que é o maior produtor do grão com quase 70% do total de 4,871 milhões de t do País, de acordo com o último levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Não é comum, mas alguns produtores ainda podem comprar sementes e plantar trigo. "É o caso específico do Sul do Paraná, onde não se tem a opção de plantar milho de segunda safra devido ao risco de geadas e a decisão fica para trigo, aveia ou adubação verde", cita Godinho. 



No Norte do Estado, o clima tem contribuído para o otimismo. Gerente técnico da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Irineu Baptista afirma que as últimas chuvas trouxeram uma esperança de boa safra. "Os preços estão remuneradores com a possibilidade de alta produtividade, só que ainda precisamos esperar a colheita. Mas o que foi plantado no pó nasceu", diz, sobre produtores que se arriscaram na terra seca, antes das precipitações. 

 

OLHO NO EXTERIOR 
A área plantada já havia crescido 7% em relação à safra anterior, de 974 mil para 1,046 milhão de hectares (ha), conforme o Deral. O motivo principal foi o baixo valor pago pelo milho, que desestimulou o plantio do grão de segunda safra e fez com que muitos produtores optassem pelo trigo ou por outras culturas de inverno. Contudo, o interesse de última hora é melhor explicado pelo cenário exterior. 

 

Analista sênior da consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco afirma que a Argentina enfrentou seca durante o desenvolvimento da soja e excesso de chuvas perto da colheita. "Isso atrasou o fim da colheita da soja e também o plantio de trigo", diz. "Era para eles colherem 20 milhões de toneladas e já falam em 18 milhões." 

 

Outros grandes produtores enfrentaram problemas semelhantes. "Austrália, Rússia, Ucrânia, Romênia, Alemanha, além de Norte dos Estados Unidos e Sul de Canadá, que plantam o chamado trigo de primavera, tiveram falta de chuvas e terão problemas. Isso é bom para os preços por aqui", conta Pacheco. 

 

Como a Argentina exporta boa parte do que produz e há maior demanda e estoques mais baixos no mundo, a tendência é que os valores pagos ao país vizinho e principal vendedor de trigo ao Brasil aumentem. Assim, a cotação do produto nacional tem se sustentado. 

 

Fonte: https://www.folhadelondrina.com.br/folha-rural/abundancia-valorizada-1007918.html

Receber Bionews

Notícias Relacionadas

Atendimento

Segunda à sexta das 07:30 às 12:00
e das 13:00 às 17:20

Passo Fundo - RS

Estrada do Trigo, 1000
Bairro São José - CEP 99052-160
Caixa Postal 3100

+55 54 3327-2002
biotrigo@biotrigo.com.br

Campo Mourão - PR

Rodovia BR 158, 3741
Avelino Piacentini, KM 8 - CEP 87309-700
Bairro Jardim Batel II

+55 44 3525-6447
regionalnorte@biotrigo.com.br